20 de fevereiro de 2015

Prestes a virar um megabloco de sujos, Congresso se concede Carnaval eterno

Por Josias de Souza

Prestes a ser convertido pela Operação Lava Jato num gigantesco bloco de sujos, o Congresso decidiu carnavalizar-se. A crise moral exige dos parlamentares sangue, suor e lágrimas. Mas eles informam que preferem reco-reco, cuíca e pandeiro. O país inteiro voltou ao trabalho na Quarta de Cinzas. O Legislativo esticou o samba.

A plateia aguarda com angústia pelo instante em que a Procuradoria da República enviará ao STF uma lista com dezenas de agentes políticos enrolados no petrolão. Só os congressistas não se deram conta do que os espera. Já não se contentam em matar a opinião pública de raiva. Querem suicidar-se.

Insatisfeitos com a semana brasiliense —reuniões de terças a quintas e sumiço de sextas a segundas— os legisladores decidiram institucionalizar o Carnaval hipertrofiado. No Senado, cujo plenário não vota uma mísera proposta há 19 dias, meia dúzia de gatos pingados revezam-se na tribuna. Na Câmara, nem isso.

Entre os deputados, a gazeta pós-carnavalesca foi instituída por escrito, revela o repórter Fácio Góis. A pedido de Eduardo Cunha, presidente da Casa, os líderes partidários pediram a extinção do expediente. A coisa passou sem contestações. Em matéria de desrespeito ao contribuinte, a falta de recato é suprapartidária.

Há oito dias, ao presidir sua primeira reunião de líderes, o neopresidente Eduardo Cunha informara que endureceria os critérios para o abono de faltas dos deputados. Só as licenças médicas e as missões oficiais livrariam os faltosos do corte no contracheque.

Desculpas esfarrapadas, ainda que endossadas pelos líderes, não serão mais toleradas. Naturalmente, depois do Carnaval. Que ninguém sabe quando acaba, exceto o procurador-geral da República Rodrigo Janot.

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