9 de junho de 2015

ASSEPSIA: Micarla depõe, se senti traída, chora e diz que patrimônio diminuiu

Micarla

A ex-prefeita Micarla de Sousa, acusada de participar do esquema de corrupção revelado pela operação Assepsia, do Ministério Público, chegou à sede da Justiça Federal, na noite de ontem(8), para prestar depoimento, acompanhada pela mãe, Mirian de Souza, a irmã Priscila de Souza e seus advogados.

Ao entrar na sala de audiência da segunda vara federal, a ex-prefeita evitou falar com a imprensa. “Só vou falar com o juiz”, afirmou, ao ser abordada pelos jornalistas. Ela foi a quarta ré ouvida pelo juiz Walter Nunes nesta segunda. Micarla iniciou o depoimento dizendo que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) eram prioridade na sua gestão.

De acordo com a ex-prefeita, a gestão das UPAs por meio de organizações sociais recebeu o crivo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, sendo realizada de forma regular. Ela negou ter realizado qualquer operação ilegal. “Após inaugurada, a UPA do Pajuçara recebeu 98% de aprovação do povo da Zona Norte. Então tinha um modelo eficaz”, defendeu.

Questionada sobre o esquema de corrupção descoberto pela Operação Assepsia, Micarla disse que nunca soube de nenhuma irregularidade. Ela afirmou que se sentiu traída pelos seus auxiliares que fizeram o esquema, sem citar nomes. “Já ouviu a frase de que o marido traído é o último a saber? Então, foi assim. Quando soube, me senti traída”, afirmou Micarla.

Micarla de Sousa comentou ainda que a compra feita por Antônio Luna, ex-secretário de Planejamento, para ela, foi ato de um amigo, valor que seria pago depois. A ex-gestora afirmou não ter conhecimento, antes da operação, de que Tufi Neris era o dono da Marca. Ela também disse que Assis sempre foi uma espécie de consultor financeiro da sua família e cuidava da sua gestão financeira desde a época em que seu pai era vivo.A ex-prefeita afirmou que a ex-controladora geral do Município Regina Motta estava mentindo quando declarou que tinha dito a ela que havia sido “vencida pela corrupção”. “Essa afirmação nunca foi feita. Inclusive, quando saiu da Controladoria foi ser minha consultora. Ela continuou comigo. Era minha mais confiável assessora. Eu só assinava qualquer papel com o crivo dela”, enfatizou.

A ex-gestora disse acreditar na inocência do ex-procurador geral do Município, Bruno Macedo. Em relação ao seu ex-marido Miguel Weber e ao ex-procurador Alexandre Magno, Micarla não colocou a “mão no fogo”.

Sobre a denúncia de enriquecimento ilícito, Micarla, chorando, diz que perdeu patrimônio quando saiu da prefeitura. “Se eu tivesse enriquecido, eu não teria tido tantas dificuldades. Eu não teria vendido o patrimônio mais valioso da minha família, que era a TV Ponta Negra. Eu havia prometido ao meu pai que não venderia. Então, para onde foi esse dinheiro? Meu patrimônio diminuiu”, alegou.

Ex-prefeita e ex-procurador divergem

Para a ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa, o contrato com a Marca havia passado pela Procuradoria-Geral do Município pela Controladoria Geral. “Eu acredito que foi acompanhado pelo Procuradoria e pela Controladoria do Município”, disse. Entretanto, o ex-procurador-geral Bruno Macêdo disse que esse contrato não havia passada pelo seu Gabinete. “Depois que esse contrato foi fechado, inclusive nós mandamos uma circular para todas as secretarias informando sobre a nossa função”, disse o ex-procurador-geral do Município.

Além dele, até o fechamento desta edição, o procurador Alexandre Magno e sua mulher Anna Karina Castro depuseram ontem. Ela foi acusada de simular serviços e emitir notas fiscais frias por meio de sua empresa de comunicação. “Eu jamais deixaria, nem mesmo o meu marido, utilizar a minha empresa com essa finalidade”, defendeu-se.

Alexandre Magno, o ex-procurador do Município demitido em função de condenação de corrupção passiva na justiça estadual, disse que as reuniões relatadas em e-mail com Marca não eram irregulares porque estavam sob a égide da legislação vigente. O ex-secretário de Saúde, Thiago Trindade também depôs. Também estavam previstos para os depoimentos de Miguel Weber, Assis Rocha, Annie Azevedo e Carlos Pimentel.

Ainda depôs até as 02:30 desta terça-feira o jornalista e ex-marido de Micarla, Miguel Webber.

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