20 de julho de 2016

Os segredos dos melhores professores de matemática do mundo


Estatísticas comprovam que alunos do ensino fundamental que aprendem matemática usando a técnica têm rendimento superior aos demais.
Os estudantes de Xangai, por exemplo, estão três anos à frente dos de outros países em termos de escolaridade.
Mas qual é o segredo do sucesso da cidade? A BBC compilou os princípios do método – bem como suas críticas.
Conceito é tudo
O método de Xangai estrutura cada aula em torno de um único conceito matemático – como aprender adições básicas, resolver uma equação ou entender as frações como parte de um todo.
E tudo é coberto muito metodicamente, de modo que a aula não avança até que cada estudante tenha entendido.
“Em muitas partes do mundo, acredita-se que uma boa aula é aquela que cobre grande parte da ementa do dia, ou seja, quanto mais se avança, melhor”, diz Mark Boylan, especialista em educação da Universidade Sheffield Hallam, do Reino Unido, e colaboradora da publicação Schools Week.
“Em Xangai, o objetivo é assegurar que um conceito seja totalmente aprendido e não seja ensinado de novo no futuro.”
Especialistas em matemática consideram o sistema muito rigoroso ou exigente, baseado em manuais feitos sob medida que substituem folhetos ou planilhas.
Trata-se de uma metodologia altamente conceitual, na medida em que professores baseiam suas aulas em métodos fundamentais e leis da matemática, embora os alunos sejam encorajados a representar fisicamente os conceitos usando objetos e imagens para ajudá-los a visualizar ideias abstratas.
Além disso, a forma como os alunos falam e escrevem sobre matemática, acreditam os especialistas, pode contribuir para seu sucesso.
“Sempre lhes pedimos para explicar a resposta em frases completas. Ou seja, não adianta escrever apenas a resposta certa, mas entender o conceito. Essa é a chave para construir o raciocínio lógico e a linguagem matemática”, informa o programa de desenvolvimento profissional Mathematics Mastery, baseado no método asiático.
Por outro lado, críticos dizem que o sistema é muito abstrato e não aplica a matemática em cenários da vida real.
Alguns também argumentam que o método ensina os alunos a se preparar para provas, ou seja, a ter um bom desempenho nos exames internacionais, mas sem adaptar o conhecimento a situações do dia a dia.
Unidos venceremos
Há também um princípio de coesão por trás do método de Xangai: a classe aprende como se fosse um só aluno, todos avançando no mesmo ritmo – não prosseguindo se alguém ainda estiver com dúvidas.
Os professores, por exemplo, não dividem o grupo com base na capacidade individual, nem em tarefas com dificuldade variada. Todo mundo é considerado um matemático nato e cabe aos professores tirar o melhor dos alunos.
Os estudantes com melhor desempenho são encorajados a aprofundar o conhecimento e ajudar o restante da classe, em vez de se distanciarem dos colegas menos aptos.
Enquanto essa busca pela igualdade dentro de sala é comemorada por muitos, críticos acreditam que o sistema desestimula os estudantes mais avançados, que acabariam ficando entediados.
A disposição das carteiras, porém, segue o modelo tradicional – o que, segundo críticos, não estimula a colaboração entre os pares.
“Trata-se de uma disposição rígida e pouco inspiradora”, dizem.
 Fonte: BBC

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