11 de julho de 2016

Velocidade média da internet brasileira ocupa a 95ª posição em ranking mundial

O carioca que recebe um salário mínimo chega a trabalhar o dobro de horas de alguns estrangeiros, que também recebem o piso em seus países, para pagar por um plano de internet banda larga (semelhante ou pior). Essa comparação é feita com outros consumidores das Américas: dos Estados Unidos, da Argentina, do Chile e do Uruguai. Os dados levantados pelo EXTRA (confira abaixo) exemplificam o quanto a internet brasileira é ruim e cara, como comprovam os especialistas do setor de telecomunicações.
— Eu pago R$ 30 por um plano de 1 Mbps (Megabite por segundo, para download). Eu acho caro, considerando que a rede para toda hora. Já vi filmes inteiros, mas vários travam — contou a biomédica Renata Cavaliere, de 31 anos.
A moradora de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, como a maioria dos brasileiros, tem uma velocidade de conexão à web muito baixa. Daí, a posição do país no ranking mundial divulgado pela consultoria americana Akamai: de 146 países, o Brasil ocupa a 95ª posição em relação à velocidade média de banda larga fixa, com apenas 4,5 Mbps, contra 29 Mbps da líder Coreia do Sul.
Luiz Carlos Santin, sócio-diretor da consultoria Nextcomm, aponta três empecilhos para a melhoria da internet no Brasil: o tamanho do país, a alta carga tributária das telecomunicações e a renda da população:
— A internet, apesar de seu uso crescente, ainda é muito cara no país. Então, é difícil encaixar esse gasto no orçamento da maioria. Se você tiver um salário de mil e poucos reais, não vai pagar por um plano de internet que custa mais de R$ 100.
O especialista destaca também a falta de concorrência na maior parte do território.
— Em mais de 85% dos municípios, só há cobertura de até três operadoras, que são as maiores. Há regiões que só têm uma. Por mais que o consumidor queira uma internet rápida, se não tem concorrência, não há investimento — disse Santin.
Carlos Sampaio, executivo-chefe de Tecnologia da Informação do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) faz a mesma avaliação e acrescenta que falta iniciativa do governo:
— Você não consegue ter estrutura para esse negócio funcionar num intervalo de dois a quatro anos. No Brasil, não há interesse político de fazer algo que vai ficar pronto após o fim de um mandato. Os países que figuram entre os dez primeiros no ranking tiveram iniciativas dos governos, que depois fizeram concessões à operação pela iniciativa privada.
Velocidades pioraram em 2015
Dados de 2015 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que algumas operadoras alcançaram as metas de velocidade, mas, no quadro geral, o país retrocedeu: enquanto, em 2014, os cumprimentos de metas de velocidade instantânea (medida assim que a conexão é feita) e de velocidade média tinham sido de 84,8% e 97,7%, respectivamente, no ano passado, os percentuais caíram para 63,8% e 86,1%. Sobre a qualidade, no entanto, Fabricio Tamusiunas, gerente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br — entidade que executa as decisões do Comitê Gestor da Internet), ressalta:
— A internet no Brasil é muito heterogênea. Se considerássemos somente São Paulo e Rio de Janeiro, certamente estaríamos entre os 30 melhores do mundo.
Enquanto o Brasil ainda engatinha na velocidade, a Coreia do Sul não se acomoda em sua liderança. O país oriental entrega até 1 Gbps (Gigabite por segundo) aos clientes e planeja, em até quatro anos, alcançar 10 Gbps.

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