25 de agosto de 2012

Polícia desarticula esquema ligado a Carlinhos Cachoeira

A Polícia Civil do Distrito Federal desarticulou ontem, na Operação Jackpot, uma organização criminosa que explora jogos ilegais no Distrito Federal, comandada pelos irmãos Queiroga, ligados ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde 29 de fevereiro pela Polícia Federal. Segundo o chefe da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), delegado Henry Lopes, há indícios de que, mesmo da prisão, Cachoeira comandava o esquema

Carlinhos Cachoeira tem conexões com contraventores que operavam o jogo ilegal no Distrito Federal

Entre os presos está Raimundo Washington de Souza Queiroga, um dos chefões da exploração de jogos ilegais no DF. Subordinado direto de Cachoeira, Raimundo havia sido preso na Operação Monte Carlo, em fevereiro passado, mas libertado por habeas corpus concedido pela Justiça. Também foram presos Otoni Olímpio Queiroga Junior, irmão de Raimundo, e Bruno Gleidson Soares Barbosa. Estão sendo procurados outros dois operadores. Um deles é Antonio José Olímpio Naziozieno, que também já havia sido preso na Operação Monte Carlo.
Segundo o diretor-geral da Polícia Civil do DF, Jorge Luiz Xavier, a família Queiroga voltou a operar o esquema de jogos ilegais no DF no dia seguinte após sair da prisão, há dois meses "Isso mostra o nível de ousadia sem limites de uma organização criminosa que afronta o Estado em plena capital da República", afirmou.

A quadrilha, segundo a polícia, se rearticulou pouco depois da deflagração da Monte Carlo e continuou explorando casas de bingo e máquinas caça-níqueis mesmo com os chefes presos. As máquinas vinham do bingo Águia, de Valparaíso de Goiás, e entravam no DF para uso nessas casas de jogos, que faturavam em média R$ 8 mil ao dia. Documentos apreendidos mostram vales de até R$ 37 mil, assinados por clientes quebrados.

As casas, segundo o diretor da Deco, eram especialmente preparadas para a jogatina. Possuíam monitoramento de vídeo nos arredores e um sistema de transporte para buscar clientes em casa. Até refeições eram servidas aos jogadores para que eles não se precisassem se ausentar. O esquema possuía um núcleo de inteligência ativa para monitorar os passos da Polícia e assim agir livre de repressão. Segundo o delegado Lopes, com a prisão desse grupo, fica enfim desarticulado o esquema remanescente da organização comandada por Cachoeira no DF. A defesa dos irmãos Queiroga foi à Deco recolher dados sobre a prisão para entrar com pedido de relaxamento, mas preferiu não se manifestar antes de conhecer os autos.

Os dados serão enviados para o Congresso Nacional, a CPI do Cachoeira, o Ministério Público e o Poder Judiciário, ao qual foi pedida a prisão preventiva de todos os envolvidos. "O Estado precisa abrir os olhos e combater com energia esse tipo de organização e evitar a impunidade. Não se trata de meia dúzia de exploradores de jogatina, mas de uma gente ousada que enfrenta o Estado brasileiro", concluiu Xavier.

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