20 de novembro de 2012

Os limites éticos do mercado

Descrição: image003.jpg@01CDC5E4.9D327F00

Uma reportagem desta edicão de VEJA dedica-se a refletir sobre os limite ético do mercado como mediador das relações humanas. A idéia mais aceita é que o dinheiro pode, efetivamente, comprar tudo - até amor verdadeiro, na boutade cínica do dramaturgo Nelson Rodrigues. A iniciati a da catarinense Ingrid Migliorini de fazer um leilão da virgindade pela imernet é um desses episódios que testam as fromeiras do que é aceitável mercadejar.

Segundo informa o site dedicado ao leilão, ele foi vencido por um cidadão japonês. O ganhador ofereceu 780000 dólares. Nesta semana, ele vai cobrar sua prenda em uma complicada operação que, para escapar das leis, obriga que ela seja consumada a bordo de um jato sobrevoando águas internacionais. A ação dos mensaleiros, que no topo do primeiro mandato do governo Lula compraram votos de parlamentares no Congresso Nacional, é outro evento que. se oferece dilemas morais menos imensos por ser um crime patente, traz também a marca da aceitação do poder do dinheiro.

A reportagem de VEJA dá voz a duas linhas opostas de pensamento. Cada uma delas tem um representante que se destaca pela clareza dos argumentos e pela combatividade. De um lado fica Richard Posner, jurista americano, autor de cerca de quarenta livros e ardente defensor da tese de que, se há um vendedor e um comprador que, livres de pressões, entram em um acordo comercial, a transação é legítima, seja qual for o produto, desde que não cause danos a terceiros. a liderança da corrente oposta. destaca-se Michael Sandel, professor de filosofia da Universidade Harvard. autor do best-seller O que o Dinheiro Não Compra. Ele sustenta que as empresas e as pessoas estão levando longe demais o conceito de que tudo tem um preço.

Sandel argumenta que há uma viga mestra de retidão nos seres humanos. e essa força elementar repudia a precificação de valores fundamentais da civilização. O pensamento de Sandel, muito mais adequado aos tempos em que vivemos do que o do pragmático Posner. tem raízes profundas na história do humanisrno. Essa linhagem pode ser reunida em tomo do consenso de que quem acha quepode comprar tudo na verdade não valoriza nada.

Vender a virgindade e comprar o apoio de partidos políticos são duas atitudes que revelam em seus autores a mesma concepção utilitarista e rasa da vida. Uma deprecia a intimidade. A outra ultraja a democracia.

0 comentários:

Postar um comentário

SUA OPNIÃO É MUITO IMPORTANTE!